1 - Performance

  • Velocidade - 50 km/h
  • Autonomia - 40 km
  • Inclinação - 18 %
  • Motor - 7065 de 1680 watts


  • Importante - números médios para os 3 primeiros indicativos, tendo oscilações dependendo da altimetria do percurso e peso do rider

2 - Composição

O CEO da Enertion Boards Jason Potter, decide abraçar a causa produtora.

Deixa de lado um pouco o jeito rebelde “Do It Yourself” e parte para a luta em busca do seu merecido lugar, junto aos inovadores do skateboard elétrico, lançando a versão apimentada do Raptor.

E sua melhor performance vem do motor de tração embutida na roda, o famigerado “hub”. Particularmente, sempre tive uma impressão de ser uma opção fraca, visto que aqueles tracionados a correia, apresentavam frequentemente desempenho melhor. Porém tudo mudou após me deparar com os números deste eboard.

Tudo porque Potter levou isso a sério, estudando a melhor escolha para compor seu produto. Então, os potentes motores, renderam uma velocidade máxima de cinquenta quilômetros por hora, se mantendo no topo de seus concorrentes.

A combinação suavizou o rolê dando também uma sensação assustadora ao condutor, com poder de arranque e aceleração insanos, o que quase deixou seu kicktail inútil. E pasmem, você só possui duas opções de velocidade neste produto: forçado lento, do tipo box de fórmula um, ou ataque no mercy, na gíria Cobra Kai.

Mas não se preocupe. Conforme já citado, ele é suave feito uma seda. Tanto na aceleração, como na frenagem, até mesmo nos aclives mais íngremes, passando muita confiança ao rider. A utilização do FOC, que direciona com maior precisão a trasmissão de potência ao motor, evita solavancos chatos.

O shape é composto de fibras leves entre carbono, kevlar, maple e grafeno. Isso proporiona ao eboard um respiro, equilibrando o conjunto, já que os motores e o robusto módulo de baterias, deixam o produto mais pesado que o de costume. Voltamos ao kicktail, que embora não se utilize muito em movimento, é bastante útil para manobras usuais em mudanças de direção.

Também vem com uma inovação para comodidade do transporte através de alças laterais, que muitos usuários elogiaram, mas particularmente como skatista que sou, não sou muito adepto destas parafernalhas, útil, mas tira a característica natural de skateboard.

As rodas ganharam mais sete milímetros, muito em função da exigência do motor embutido. Tem customização própria e combinou muito com o estilo agressivo do Raptor. Possui composto 80A nas frontais e 75 nas traseiras, para durabilidade e proteção do motor interno.

Outra inovação sentida é o novo controle remoto Nano X. O desenho impressionou bastante e até prometia, mas, a ergonomia deixou um pouco a desejar, sendo pequeno demais e trazendo dificuldades no manuseio. O mecanismo também não é dos melhores, vezes até parecendo um brinquedo, do que propriamente dito algo profissional e confiável.

3 - Capacidade

Os dois mundos de Jason ainda estão em frequente conflito como já notado. A Enertion busca ser reconhecida como verdadeira construtora de eboards, mas ainda é confundida como fornecedora para artesanais.

Isto é notado por exemplo, quando ela apresenta o carregador de baterias, idêntico ao da Evolve. Só foi customizado, e sem dúvidas vindo do mesmo fornecedor. É bastante eficiente como o da concorrente e carrega o equipamento em duas ou três horas, mas poderia ter tido sua identidade e design próprios.

Já a porta de entrada no eboard para fazer o carregamento é definitivamente estranha. Tudo porque foi posicionada abaixo do shape, juntamente com um display digital, que pode vir a ter contato com obstáculos, perigando danos inesperados.

O controlador de motores é o genérico VESC, do engenheiro Benjamin Vedder. No entanto, é FOC já utilizado pela Evolve e Boosted. Tem um aplicativo próprio que se concecta via Bluetooth, porém limitado a dispositivos Android. Isso gerou críticas bastante polêmicas para um produto que precisa chegar a todos.

Mas estes nem são os B.Ó's mais cruciais de toda avaliação até aqui.

Potter efetuou os testes dos novos potentes motores em uma pista lisinha, sem intempéries de terreno, o que é totalmente diferente da exposição de todo o conjunto da roda, aos cabulosos obstáculos diários. Os vinte milímetros do composto uretano que envolve o motor, não são capazes de suprir a proteção necessária. A Enertion tentou melhorar este problema junto ao fornecedor mudando o composto, porém sem muita eficiência.

4 - Valor

O preço desta maravilha é animador: são mil e setecentos dólares americanos que briga de frente com os principais concorrentes, e tenho que dizer que até aí tudo bem, porque tem performance pra lutar e alguma qualidade pra contar.

No entanto, em certos aspectos, é visível que a Enertion ainda peca nesta questão de se apressar no lançamento.

Claro que a concorrência não espera, porque quando vai ver, a onda já passou e oportunamente não se aproveitou.

Pelo que observou-se de alguns clientes da casa australiana, confessaram como sendo “cobaias” de um produto que necessita ajustes críticos.

Não adianta impressionar o público com falácia e números, mesmo se expressivos, porque eles não garantem a sustentabilidade do produto e isto pode ser fatal. É o tal do: vamos empurrar com a barriga e ver no que dá…, perigoso.

Enertion Raptor 2.1 (acesse)

ESC: Vesc 4
SHAPE: 97,31cm
VOLTAGEM: 36
CÉLULA: SAMSUNG 30Q
AMPERAGEM: 12,0
MÓDULO: 10S4P - 432 watts hora
PESO: 11,70Kg
POTÊNCIA: 2x 1680w
TRUCKS: Mono King Pin - 260mm
RODAS: STREET 90mm

5 - Avaliação

A demora na entrega tem sido uma das principais e frequentes reclamações dos clientes da Enertion. Evidentemente, isto ocorre porque Jason Potter tem pouca gente em sua equipe de staff e perde muito tempo com os holofotes celebrando algo que até é louvável de comemoração, porém que ainda tem muito chão para conquista definitiva.

Temos acompanhado as dificuldades e sofrimento de outros construtores em procurar alternativas para reduzir seus custos, batendo de frente com uma cultura e linguajar desconhecidos, tentando mergulhar nesta estranha sensação de pensamentos em constante estresse, pois construir skateboard elétrico não é para amadores, custa muito dinheiro e elevado conhecimento técnico.

Manter um padrão de qualidade suatentável, diante de tecnologias que se transformam diariamente, tem se mostrado um problema frequente, pois anula todo investimento processado.

Ao contrário de suas concorrentes, a Enertion depende de muitos terceiros para fazer seu produto acontecer. Ou seja, tudo que Jason Potter quiser inovar, corrigir ou implementar, não depende absolutamente apenas dele, e isto é denotadamente sensível quando no meio deste caminho, está o cliente esperando resoluções velozes, sendo surpreendido por outros concorrentes com novidades instantâneas.

Digamos que, para o lado mecânico essa transformação pode vir com maior agilidade, pois é visivelmente compreendida. Porém, naquele eletro-eletrônico, alma do eboard já tantas vezes citado, o buraco é muito mais embaixo, pois a resposta, ao contrário, é bastante tênue e muitas vezes oculta, podendo progredir apenas, se acompanhando passo a passo seu histórico evolutivo.

E obviamente, para um produto de investimento expressivo, a cobrança por respostas rápidas e eficientes, é sensivelmente delicada. Não se permite tempo nem para reagir. Um golpe nesta aventura, e pode ser nocaute.

NOTAS

Enertion iniciou suas operações no ano de 2014 e parou de fabricar skateboards elétricos 4 anos depois, em 2018. Comercializava seus eboards neste endereço eletrônico https://enertionboards.com.