Um sonho pode ser apenas mentalizado ou verdadeiramente materializado, com toda a intensidade que a palavra “sonho” é capaz de carregar.
Na primeira opção, podemos até projetar sua arquitetura: imaginar os detalhes mais desejados, construir mentalmente cada cenário, beber um ou dois copos de água, deitar e, horas depois, despertar impressionados com tudo aquilo que nosso subconsciente foi capaz de realizar — quase como se tivéssemos criado um “prompt”.
São sensações únicas. Porém, como acontece em qualquer experiência ludibriada — ludus —, a satisfação será inevitavelmente artificial, quase uma provocação à nossa própria capacidade de viver intensamente a realidade do dia a dia.
No caso do rider Carlos Gomes, de Campinas, tudo foi tão mágico e surreal, tão próximo daquela sensação descrita acima, que ele precisou se perguntar:
“Essas maravilhas que vivi no ESK8 SP 26 foram reais ou é fruto da minha imaginação?”
Porque nem mesmo nos sonhos mais puros da infância, naquela época em que a imaginação parecia não conhecer limites, um rolê como esse seria capaz de proporcionar tamanha intensidade.
A ponto de pensar:
“Deixe-me voltar a sonhar, porque quero viver tudo isso novamente”
A intensidade das emoções vivenciadas em Santos e São Paulo, nos dias 14, 15 e 16 de agosto, foi tão marcante que muitos outros riders certamente se fizeram a mesma pergunta.
E, obviamente, é preciso agradecer o carinho de todos os envolvidos — especialmente à linha de frente formada por Kleinpaulera, Samuka, Korekazu, Quilers e Betão, que mais uma vez trabalharam incansavelmente nos bastidores para transformar ideias em experiências memoráveis.
Mais um evento realizado pela Trip Boards e ESK8 Brasil, uma união que, desde o início, vem provando que parceria, dedicação e paixão são ingredientes certeiros para produzir sucesso, satisfação e, acima de tudo, experiências que permanecem na memória.
Nem mesmo o mau tempo no litoral paulista foi capaz de afastar o desejo de saborear momentos surreais sobre nossos boards.
Tudo foi pensado magistralmente para tornar a experiência única, reunindo os ingredientes necessários para que aquele fim de semana se transformasse em algo verdadeiramente especial.
E a primeira grande novidade veio justamente de onde ninguém esperava: uma competição inédita e especialmente dedicada à categoria no país, batizada de Fórmula Eboard.
GRAND RIDE SANTOS 26
A prova contou com a participação de 13 riders e proporcionou momentos tão intensos que, durante algumas horas, pareceu possível materializar dentro de cada participante aquela criança que, na maioria das vezes, só existe mesmo nos sonhos.
Uma criança capaz de libertar desejos, instintos e vontades que permanecem adormecidos no cotidiano.
E tudo começou pelo cenário.
Um ambiente cuidadosamente preparado, fruto do trabalho da Embark Kart Eletrik, que gentilmente disponibilizou o espaço em parceria com a Trip Boards.
Desde já, fica o agradecimento do ESK8 Brasil por todo o carinho, confiança e disponibilidade — fundamentais para que o evento pudesse sair do imaginário e ganhar forma, velocidade e realidade.
A pista possuía todos os elementos que uma competição eletrizante poderia oferecer.
E até mais.
A sinalização, por exemplo, transportava os riders para situações que normalmente só encontramos em sets cinematográficos ou em jogos extremamente realistas.
Efeitos de iluminação técnica e direcional criavam uma experiência imersiva, quase de ficção científica, misturando uma estética cibernética neon inconfundível com uma atmosfera carregada de tecnologia.
Mas a experiência não se limitava ao visual.
Tecnicamente, o traçado entregava curvas acentuadas, retas de alta velocidade e situações inusitadas, acrescentando aquela pitada de dificuldade que transforma uma simples disputa em uma verdadeira competição.
Até mesmo um trecho de instabilidade entrou para o espetáculo, fazendo um dos competidores rodar e sucumbir de maneira tão inesperada quanto divertida.
Precisamos de uma realidade melhor do que essa?
Os competidores eram munidos de transponders (um sensor eletrônico compacto com um número de identificação único) que registravam seus tempos de volta com precisão em milésimos de segundo: Quando o rider cruza a linha de largada, a antena subterrânea capta o sinal instantaneamente do sinalizador, registrando o horário exato no sistema responsável pelo controle geral da prova.
Durante trinta minutos, o melhor tempo da pista foi obtido pelo rider de Curitiba Salgadon em sua décima primeira volta (total de 15) com 47 segundos 384 milésimos, competindo com um Evolve GTR 2 Carbon.
A segunda colocação, portando um Evolve Renegade Diablo, ficou para o racer de São Paulo Betão, cravando 49.677 (apenas 2.798 atrás do líder) na quinta de dezessete voltas completadas.
A última vaga do pódium ficou para outro corredor de Curitiba. Com um Evolve Hadean Carbon e o tempo de 50 segundos 448 milésimos, Zama ao completar sua sétima de quinze voltas realizadas com a terceira melhor volta da competição.
Segundo o mesmo relatório oficial conferido pela direção da prova Embark Kart Eletric as demais posições foram conferidos pela ordem:
Não portaram transponder Furlan e Tim Maia, vulgo Cientista.
Foi tão absurdo — no melhor sentido possível — que o resultado já aponta para uma evolução natural do nível de produção competitiva nas próximas edições.
E isso abre uma nova perspectiva: pensar em eboards especificamente construídos para os futuros Grand Rides, elevando ainda mais o nível técnico, competitivo e tecnológico das provas.
Sim.
A partir de agora, sempre que houver disponibilidade local, os eventos do ESK8 Brasil poderão contar com uma etapa da Fórmula Eboard.
E para quem se arrependeu de não ter vivido essa experiência, fica o aviso: outras oportunidades virão.
E, certamente, novos sonhos que deixarão de ser apenas fruto da imaginação.
Porque, no fim das contas, talvez essa seja a verdadeira essência do ESK8: transformar aquilo que parecia impossível em uma experiência real — e tão intensa que, depois de vivê-la, a única coisa que você deseja é voltar a sonhar com ela.
SÁBADO — DA LIBERDADE SOBRE O BOARD À INDEPENDÊNCIA

No sábado, já na capital, o sol paulistano fez um convite especial para um giro de pelo menos 30 quilômetros, com destino à Independência brasileira, através do imponente Parque da Independência.
Não apenas pelo simbolismo do tema, mas principalmente pela beleza natural do lugar, foi possível contemplar momentos de pura liberdade, com destaque especial para a ladeira — ou eixo monumental — que conduz à cripta onde repousa o corpo do imperador libertador, D. Pedro I.

A rampa, repleta de skatistas, naturalmente traduz uma de nossas principais sensações de free spirit.
Especialmente para manobras de carver, margeadas por slides forçados ou por um downhill sereno.
Obviamente, para os eboards tudo isso se torna ainda mais simples — e, ao mesmo tempo, mais aguçado — principalmente quando chega o momento de enfrentar novamente o retorno do declive.
Pelo sim, pelo não, e revoltas à parte, essa é uma característica que nos satisfaz profundamente e que jamais se discute.
Porque simplesmente faz parte do rolê infinito que sempre sonhamos viver.