A história da e-brand é um dos episódios mais controversos e debatidos na comunidade global de skateboard elétrico. O que começou como uma promessa revolucionária de engenharia, transformou-se em um dos maiores casos de vaporware (produtos anunciados que nunca chegaram ao mercado) e frustração no setor.
Fundada pro desenhista industrial Jeremy Bogan, a Jed Boards veio com a promessa de apresentar uma terceira solução bastante interessante de transmissão, que eram então divididas entre aquelas por correia e as embutidas (hub).
Apesar de já estar sendo cogitado e até tendo os primeiros ensaios nos bastidores informais dos skates artesanais (DIY) naquela época, o sistema de transmissão baseado em engrenagens customizadas de alta tecnologia (gear drive), era um dos grandes diferenciais prometidos pela empresa batizado de Jed Drive.
Além disso, o eboard apresentava diferenciais interessantes como a roda livre sem interferência ou resistência magnética, baterias modulares que poderiam ser substituídas (hot-swappable), carregamento rápido em menos de uma hora e finalmente, a tão sonhada conexão integrada GPS, além de outras tecnologias bem interessantes, como ativação automática do eboard por sensibilidade tátil, simplificando e elevando o setor para outro patamar.
A empresa preferiu não abrir campanhas de fundo coletivo do tipo Kickstarter ou Indiegogo, mas sim pedir financiamento antecipado diretamente em seu endereço eletrônico. Esse modelo de negócios é considerado ainda mais arriscado para o consumidor, pois as regras de reembolso são controladas totalmente pelo dono da empresa, sem a proteção ou os termos de uso de uma plataforma terceirizada de crowdfunding. Os skates eram vendidos em duas versões do modelo principal na pré-venda: o Jed Dual (tração em duas rodas) por US$ 1.199 e o Jed AWD (tração nas quatro rodas) por US$ 1.599.
O projeto era fantástico e entusiasmante, mas os primeiros sinais de alerta começaram a pipocar. Discussões na comunidade ESK8 advertiam que a matemática de Bogan não batia, e deste modo colocava os estudos apresentados além do planejamento em cheque, enquadrando-os como charlatanismo. Outro dado alarmante, é que outro projeto, ministrado pelo mesmo Jeremy Bogan, através de campanha financeira parecida, batizado de Boa Wheels - uma roda para skateboard com fórmula chamada de Hemotox de alta qualidade - sofria adiamentos constrangedores.
Durante quase três anos (2018-2020), a Jed Boards através de suas redes sociais postava atualizações com testes de firmware e rodagem do eboard, além de caixas do produto supostamente prontas na fábrica para entrega para então continuar ludibriando seus clientes.
Jeremy Bogan sempre publicava textos longos e técnicos, justificando os atrasos devido a pequenos ajustes técnicos, como por exemplo os de segurança no controle remoto ou ainda na durabilidade das engrenagens. Clientes que pagaram milhares de dólares na pré-venda começaram a perder a paciência pedindo reembolsos dos seus investimentos, os quais eram consistentemente ignorados ou adiados pela Jed Boards.
Por volta de 2020, a fachada desmoronou. A empresa parou completamente de responder aos clientes, o site saiu do ar e as redes sociais foram abandonadas. Membros da comunidade iniciaram campanhas e criaram guias ensinando as vítimas a registrar boletins de ocorrência na polícia de Singapura (onde a empresa mantinha registros financeiros) e acionar os bancos por fraude.
Investigações informais de entusiastas da comunidade ESK8 apontaram que Jeremy Bogan havia se mudado definitivamente para a região de Foshan, na China, deixando para trás centenas de compradores lesados sem o produto e sem seu respectivo dinheiro.
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