Quando falamos de artesanal, alguns poucos ignorantes do nobre conceito, levam esta característica para o lado pejorativo, como algo realizado com pouca precisão, talvez até as pressas e sem muito zelo, mas se enganam.
A sensibilidade é muito mais profunda e sentimental, pois o “artesão” coloca todo o seu talento, alma e coração no artefato. É como dar vida e personalidade própria a algo que antes era apenas um objeto comum indiferente a todos.
Hoyt St. (abreviação de Hoyt Street) é uma homenagem direta à rua onde a empresa nasceu e onde os primeiros protótipos foram criados, localizada na cidade de Portland, Oregon e a história desta conceituada e-brand se resume assim.
Liderada por Jeff Johnson, ex-funcionário aposentado da gigante Nike, começou a praticar surf e buscou um longboard convencional para treinar seu equilíbrio fora do mar.
Dentro de um universo bastante diferente daquele dos materiais abordados pela grife de artigos esportivos, Johnson enxerga uma oportunidade de criar um produto artesanal esteticamente superior, utilizando sobretudo as qualidades especiais do bambu.
O resultado veio em forma de produtos únicos. Os shapes de alta flexibilidade, design, elegância e durabilidade prensados em vapor, e o irreverente controle remoto Puck, foram reverenciados como arte magistral em forma de produtos, marcando para sempre a e-brand na história ESK8.
Mas a Hoyt St. Não parou apenas nestes grandes detalhes, foi além. Desenvolveu um sistema inovador com um sistema de bateria divididos em três módulos compactos, o que em tese, resolveria o problema estabelecido pelas companhias aéreas do limite de potência para poder embarcar na aeronave com o eboard. O modelo permitia desencaixar os módulos sem a necessidade de ferramentas para poder assim transportá-los em mala de mão.
Certamente, o exemplo de desenvolvimento industrial de produtos únicos da boutique de skateboards elétricos Hoyt e de pouquíssimas e-brands que se atrevem a ser diferentes, queira ou não é o que todo rider gostaria de encontrar pela frente. Afinal, nem tudo é apenas preço baixo e a monotonia cansativa do mesmo eboard de sempre apenas diferenciado por um rótulo.
Mas, infelizmente esse modelo só é sustentável dentro de uma previsibilidade serena e o mercado de eboards que já é bastante nichado, após uma enxurrada de ofertas advindas de muitas e-brands sobretudo da China, começou a afetar consideravelmente desenvolvodoras do tipo. Mesmo porque a diferença operativa é brutal em termos de mão de obra, investimentos na criação e matéria prima, sendo que muitas delas nem mesmo investem no desenvolvimento da forma como Hoyt St. fazia, tendo como objetivo apenas replicar aqueles criados.
O estopim dos problemas financeiros começou após um incêndio em uma churrascaria vizinha ao galpão da marca. O incidente afetou diretamente os planos de mudança da Hoyt St. para fechar uma parceria física com a distribuidora RevRides, impactando gravemente a cadeia de suprimentos, os pedidos e forçando uma redução drástica de funcionários.
Embora tenham enfatizado publicamente na época que não estavam declarando falência técnica, os fundadores decidiram parar de fabricar skates completos assim que os estoques remanescentes se esgotassem. Eles colocaram as marcas (Hoyt St. e Metroboard) à venda para potenciais novos compradores.
Para não deixar a comunidade ESK8 na mão, fechou um acordo com a conhecida loja de componentes eletrônicos MBoards que absorveu o estoque restante de peças de reposição da marca (como motores, polias, pneus e controles Puck). É por lá que os atuais proprietários de skates da Hoyt conseguem encontrar peças originais para manutenção.
Ler mais